Imagem capa - Você deixa seu bebê chorando no berço? por Claudia Milani Fotografia

Você deixa seu bebê chorando no berço?

Você deixa seu bebê chorar no berço ou atende seu chamado rapidamente?


Essa questão tornou-se um tanto polêmica quando começaram a surgir as chamadas técnicas do choro controlado, principalmente relacionadas à hora de dormir.


Pessoalmente sou contra este tipo de técnica pois é através do choro que os bebês dizem aos pais que estão com fome, frio, sono, medo, dor ou qualquer outro desconforto. Chorar é a única forma de comunicação que os bebês têm. Aí, pensamos, por que deixar chorar? Se o que seu filho está pedindo é atenção, ajuda e carinho.


Há um tempo vem sendo propagado o termo “Ferberização”. Ele vem do nome de Richard Ferber, pediatra americano que foi o precursor dos métodos que pregam que se deve deixar a criança chorar sozinha por determinado período de tempo para treiná-la a aprender a se acalmar sozinha. Hoje existem muitas variações desses métodos, algumas mais humanizadas, outras menos. A maior parte continua baseada na ideia de que a melhor forma de fazer os bebês pararem de chorar seria deixando-os chorar.


As versões mais humanizadas sugerem que os pais entrem no quarto do bebê em intervalos controlados para que eles não se sintam abandonados, mas ao mesmo tempo sem ceder à tentação de pegá-los no colo, de forma que entendam que aquela hora é a hora de dormir. Esses intervalos começam mais curtos e vão aumentando ao longo de cada espera e de cada dia do processo.


A quantidade de questões que esse tipo de treinamento levanta é enorme: será que os bebês podem ser educados a partir de tabelas genéricas, e será que ignorar seu choro pode causar algum mal? Se o bebê aprende que não vai conseguir o que quer através do choro, de que outra forma conseguiria, se essa é a sua principal forma de comunicação? O que é choro e o que é birra? Aliás, bebês muito pequenos fazem mesmo birra? Afinal, estes métodos funcionam?

Outras versões, mais radicais, chegam a defender que o bebê chore até se cansar – citando que pode acontecer, e que é “normal”, de o bebê vomitar de tanto chorar.


O fato é que os bebês nascem com o cérebro imaturo, porém em pleno desenvolvimento. Isso significa que nos primeiros três anos de vida o cérebro ainda está em organização e é nessa fase que são estabelecidas milhares de ligações neuronais importantes enquanto outras são perdidas. Uma criança a quem os pais respondem prontamente irá enxergar um mundo onde os outros podem ser de confiança, enquanto uma criança que chora sozinha repetidamente fica programada para deixar de esperar dos outros qualquer tipo de conforto ou de consideração.


Um hormônio chamado cortisol, liberado em casos de estresse, inunda o cérebro dos bebês quando eles choram. Esse hormônio em excesso no cérebro em desenvolvimento pode destruir conexões neurológicas importantes. Além disso, quando as partes do cérebro responsáveis por apego
e controle emocional não são estimuladas durante a infância, não se desenvolvem mais. E o resultado a longo prazo pode ser uma criança agressiva e sem apego emocional.


A sensação dos bebês de não terem nenhum controle sobre o meio em que vivem ao ter seus apelos ignorados ganhou o nome de “desesperança aprendida”, que é uma espécie de depressão. Katia Keiko Matunaga, mãe de João Pedro, coordenadora pedagógica da Escola Viva, em São Paulo, cita o psicanalista inglês dr. Bion, que falou bastante sobre a importância da mãe tolerar o choro da criança, acolher e devolver para ela de uma outra forma, como a calma. É aquele momento do colo, do acolhimento, do “vai ficar tudo bem, a mamãe está aqui”. 


Conforme a criança cresce, ela vai desenvolvendo outros recursos para se comunicar, como sons e gestos mais precisos e é importante que o adulto legitime essas novas possibilidades, converse com o filho e acolha esse choro, procurando “traduzir” para a própria criança o que está percebendo: “será que você está com fome”, “acho que você não gostou disso”.


Há pessoas que dizem que deixar chorar é bom, que a criança aprende a adormecer sozinha e a ter autonomia. Entretanto, autonomia e independência vêm com a maturidade.  Bebês não possuem maturidade neurológica para tal. 


Há pesquisas que mostram que ao atender as necessidades do bebê prontamente, ocorre uma redução no choro a longo prazo, de forma saudável. As americanas Mary Ainsworth e Silvia Bell, psicólogas especializadas em desenvolvimento, analisaram como as mães respondiam ao choro do bebê e descobriram que, quanto mais rápido tocavam nos filhos, menos eles choravam mais tarde.


Enfim, cada família escolhe o que considera o melhor para seus filhos. Com base nessas informações e em outras que você julgue importantes, você saberá como agir. Fiquem à vontade para deixarem suas opiniões!


Beijos e até o próximo post!



Fontes: Revista Pais e Filhos e Revista Claudia

Foto: Claudia Milani

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